Qualidade de Vida e Adensamento
Populacional *
Qualidade de vida? Como?!
Enquanto todos os compêndios de Ecologia demonstram que a riqueza
dos ecossistemas é sinalizada por indicadores de biodiversidade
saudáveis, indicando uma maior variedade de espécies convivendo
em um equilíbrio dinâmico, a espécie H. sapiens ao
contrário, além de dominar e exterminar outras espécies,
inclusive a sua, adensa cada vez mais os seus espaços. Aumentando
gabaritos de construção, ocasionando a superpopulação
nas áreas costeiras, resultando em maior stress e poluição.

O principal indicador mundial
de qualidade de vida, o Índice de Desenvolvimento Humano, resulta
do conjunto de três expressões:
· a longevidade medida pela expectativa de vida ao nascer;
· os níveis educacionais, medidos pela combinação
da taxa de analfabetismo da população de 15 anos e mais,
com peso 2/3, e do número médio de anos de estudo da população
de 25 anos e mais, com peso 1/3;
· a renda medida pela RFPC - renda familiar per capita média
ajustada - expressa em salários mínimos de setembro de 1991.
Não inclui assim
quaisquer variáveis ambientais, certamente relevantes para o desenvolvimento
humano sustentável e das demais espécies, uma vez que longevidade,
nível educacional e de rendimento, certamente não serão
expressos por indicador ou números confiáveis sem que sejam
refletidos na qualidade do ambiente urbano e natural. Ao constatar a enorme
elevação de gabaritos, o tratamento irregular e a disposição
de esgotos em rios, lagoas e baías, o desmatamento de encostas
e dos parques estaduais e municipais, a retificação e destruição
das matas ciliares de rios e lagoas, enfim, o desprezo pelos compromissos
assumidos na ECO 92, certamente observa-se que o estado dos ecossistemas
não contribuiriam positivamente para o aumento do IDH, muito menos
para nos vangloriarmos de avanços da Rio + 10 na próxima
Conferência sobre o Meio Ambiente em Johanesburgo.
A solução
efetiva vem a médio e longo prazo, talvez na Rio + 20, com a renaturalização
dos ecossistemas impactados, recompondo os manguezais da orla das lagoas
e rios, reflorestando as áreas de mata atlântica destruída,
implantando um sistema eficaz de tratamento terciário de esgoto
e demais efluentes, e, principalmente, evitando o enorme adensamento populacional
das áreas costeiras, através de uma ocupação
urbana mais horizontal, diminuindo ou minimizando o impacto das atividades
antrópicas no meio ambiente, na busca de uma melhor qualidade de
vida e relacionamento entre as atuais gerações e os ecossistemas.
* SÉRGIO DE MATTOS FONSECA: o autor é
Professor do curso de extensão para Elaboração de
Estudos e Relatório de Impacto Ambiental da UFF/GIPE/EcoCiência,
economista filiado a Sociedade Brasileira de Economia Ecológica,
M. Sc. em Ciência Ambiental pela UFF - Universidade Federal Fluminense,
diversos cursos em Oceanografia, Análise de Sistemas e Gestão
Ambiental, diretor da APREC Ecossistemas Costeiros, área de atuação
em Valoração Econômica - Ecológica de Externalidades
Ambientais e Recuperação de Ecossistemas Costeiros Tropicais,
diversos artigos e trabalhos publicados. Consultor Ambiental. apreco@aprec.org.br
Minimização
e Seqüestro de Emissões de Carbono
Elaborado por: George de Souza Mustafá – Universidade de
Salvador
Luis Henrique Piva – Prefeitura de Palmas - TO
Sean Patrick Bradley – Cientista Ambiental
Sérgio de Mattos Fonseca – APREC Ecossistemas Costeiros
Wilton Oliveira Arruda – Conselho Nacional de Recursos Hídricos
-CNRH
...para o Instituto Internacional de Educação do Brasil
IIEB, durante o II Curso “Ciclo do Carbono”.
CONTEXTO
Dentro do contexto do Protocolo
de Quioto, os países membros concordam em reduzir tanto as emissões
de Gases de Efeito Estufa (GEE) quanto o tamanho dos estoques atmosféricos
destes gases. O principal foco destas reduções fica com
os países desenvolvidos listados no ANEXO 1 da Convenção
– Quadro das Nações Unidas para as Mudanças
Climáticas, que terão que reduzir emissões em vários
pontos de suas matrizes energéticas, nos sistemas industriais,
florestais, agrícolas e urbanos. Com a introdução
do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) será possível
a implantação de projetos específicos visando realizar
essas reduções nos países em desenvolvimento. Com
isso em mente, este artigo pretende apresentar uma metodologia que facilita
a identificação de técnicas de minimização
e seqüestro de carbono.
O protocolo de Quioto e
em particular o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo têm objetivos
múltiplos que incluem conceitos de equidade e desenvolvimento sustentável
para que o acordo seja realizado num contexto de melhoria na qualidade
de vida para todos os povos. No entanto, a meta geral numa visão
técnica pode ser descrita como o estabelecimento de um sistema
biogeoquímico no qual os Gases de Efeito Estufa estejam em um equilíbrio
dinâmico que não ameace a sustentabilidade dos sistemas sociais
e ambientais do planeta. Em apoio a esta meta básica é noção
de que somos capazes de modificar a quantidade de GEE na atmosfera através
de diferentes técnicas, processos e procedimentos. O problema,
em escala global, é de modificar os fluxos de carbono entre os
vários estoques mundiais de forma a transferir carbono (e outros
GEEs) do estoque atmosférico para outros estoques como o oceânico
e biológico restabelecendo um equilíbrio aceitável.
MINIMIZAÇÃO
E SEQUESTRO
Frente a este quadro de
mudança nos fluxos mundiais, é fácil identificar
a necessidade de reformular os sistemas industriais, urbanos e até
ambientais de forma a contribuir para reverter o processo de acumulo de
GEE na atmosfera. Neste sentido, existem, basicamente, duas estratégias
para alterar os fluxos no ciclo de carbono. Primeiro podemos modificar
os sistemas para evitar emissões de carbono (carbon emission avoidance),
ou seja, mudar tecnologias e procedimentos de forma a reduzir ou até
eliminar as emissões de carbono sem deixar de suprir demandas.
A segunda estratégia é a captação ou “seqüestro”
de carbono já em estado gasoso que está sendo emitido para
atmosfera ou que já se incorporou a esta. O seqüestro envolve,
então, a transferência deste gás carbônico para
um outro estoque qualquer.
Como estamos lidando com gases de permanências elevadas não
vai ser o suficiente começar a minimizar emissões daqui
por diante. Para estabelecer um novo equilíbrio que seja sustentável,
será necessário utilizar ambas as técnicas de minimização
e de seqüestro.
METODOLOGIA
DAS TECNOLOGIAS LIMPAS
Para identificar e desenvolver
técnicas apropriadas para efetivar estas mudanças nos fluxos
de carbono é essencial buscar um entendimento mais específico
sobre a diferença entre métodos associados com minimização
e aqueles associados com seqüestro. De início, podemos declarar
que há mais benefícios ambientais com técnicas de
minimização. Apoiando-se em metodologias desenvolvidas dentro
do âmbito de tecnologias limpas é possível entender
minimização e seqüestro como dois pólos no qual
a minimização apresenta melhores resultados em termos de
eficiências materiais e energéticas porque elimina etapas
posteriores de mitigação e remediação. Ou
seja, evitar a emissão implica evitar gastos associados com seqüestro.
Em sistemas industriais,
técnicas que visam a remoção ou tratamento de resíduos
somente no fim do processo são chamados de soluções
“fim de tubo”, e apesar de ainda ser uma parte importante
dos processos industriais são atualmente reconhecidos como soluções
ineficientes e geradoras de muitos impactos ambientais. Soluções
focalizadas no “fim de tubo” representam o pior caso numa
seqüência de técnicas que visam reduzir desperdício
e minimizar impactos ambientais. Tecnologias limpas visam aproximar cada
vez mais sistemas de emissão zero segundo a seguinte hierarquia:
ETAPAS –
TECNOLOGIAS LIMPAS
Alteração
do produto
Alteração
do Processo
Otimização
de Processo
Melhorias Operacionais
Reutilização
Tratamento
Disposição
Trazendo esta metodologia para o contexto de mudanças climáticas
é possível aplicá-la a outros sistemas desenvolvendo
uma hierarquia mais genérica porém paralela a das tecnologias
limpas
ETAPAS –
TECNOLOGIAS LIMPAS ETAPAS - OUTROS SISTEMAS
Alteração
do produto Evitar Problema
Alteração
do Processo GerenciamentoManejoPlanejamento
Otimização
de Processo
Melhorias Operacionais
Reutilização
Mitigação
Tratamento Remediação
Disposição
Sistema fora de Controle
EVITAR
O PROBLEMA
Em cada um dos sistemas
responsáveis para a geração de GEE podemos através
desta metodologia identificar técnicas e medidas que tendam mais
para minimização (evitar problema, ou manejo etc.) ou mais
para seqüestro (mitigação, remediação).
As melhores técnicas no topo da hierarquia evitam a geração
de carbono e outros GEEs. Normalmente isto envolve mudanças radicais
em tecnologia ou alterações em padrões de comportamento
e/ou demandas.
GERENCIAMENTO /
MANEJO / PLANEJAMENTO
O segundo nível de
consideração em sistemas industriais está subdivido
em três etapas: alteração do processo, otimização
de processo, e melhorias operacionais tem paralelo em outros sistemas
através de uma ampla gama de técnicas de gerenciamento,
manejo e planejamento que modificam estes sistemas reduzindo as emissões.
A distinção entre as modificações tecnológicas
focalizadas em equipamentos e aquelas que visam a melhora do capital humano
são menos aparentes em sistemas urbanos e florestais e por isso
serão objeto de estudos posteriores.
MITIGAÇÃO
E REMEDIAÇÃO
Quando se fala de técnicas
de mitigação e de remediação no fundo trata-se
de técnicas de seqüestro. Então isto representa a divisa
entre técnicas que evitam a geração de GEEs e técnicas
corretivas que visam a remoção de substâncias já
geradas. Técnicas de mitigação normalmente visam
transferência do problema de um lugar para um outro considerado
menos danoso enquanto técnicas de remediação visam
a redução do impacto do problema freqüentemente sem
realmente solucioná-lo.
SISTEMA FORA DE
CONTROLE
O equivalente à disposição
industrial em outros sistemas é um sistema fora de controle. Às
vezes, isto pode envolver tentativas fracas a medidas corretivas, mas
são sempre limitadas em escopo nunca abordando o problema de forma
sistêmica.
Portanto, com esta estrutura conceitual seremos capazes de identificar
e priorizar entre vários sistemas as técnicas que podem
ser utilizadas para reduzir o efeito estufa. Serão apresentados
a seguinte vários exemplos de técnicas em diferentes sistemas
responsáveis para gases de efeito estufa. Os sistemas apresentados
(industrial, florestal, agrícola e urbano) poderiam ter outras
divisões, tratando, por exemplo, as questões energéticas
separadas das industriais ou tratando resíduos sólidos fora
do contexto urbano mas o intuito principal é de ilustrar a gama
de técnicas possíveis e como elas podem ser avaliadas em
termos holísticos visando aumentar benefícios ambientais
gerais.
SISTEMAS INDUSTRIAIS
Os processos industriais
que geram emissões atmosféricas e as respectivas concentrações
médias de dióxido de carbono (CO2) nestas emissões
são apresentados na tabela abaixo.
Como pode ser observado, a maioria desses processos descarrega as emissões
diretamente na atmosfera. Em alguns casos, principalmente devido à
alta concentração, o CO2 é normalmente comercializado
ou aproveitado pelo próprio processo.
Processos Produtos CO2 (% v) Destino
Combustão Gás natural 8 – 9 Atmosfera
Óleo combustível 12 – 13 Atmosfera
Biomassa 15 – 18 Atmosfera
Calcinação do calcário Cimento 25 - 32 Atmosfera
Cal > 99 Atmosfera
Siderúrgico Ferro-liga 15 - 30 Atmosfera
Reforma de gás natural Fertilizantes 60 - 70 Comercialização
Hidrogênio > 99 Comercialização
Fermentação aeróbia Álcool e açúcar
> 99 Atmosfera
Bebidas > 99 Comercialização
Petroquímico Óxido de eteno 65 - 70 Comercialização
Carbonatos Barrilha > 99 Comercialização
Com relação
a quantidade de CO2 gerada, os três principais processos em ordem
decrescente são: combustão de gás natural, cimento
e ferro-liga. Portanto, apesar da combustão de gás natural
apresentar a menor concentração de CO2 nas emissões
gasosas (8 – 9 %v), é o processo industrial que gera maior
volume de emissões para a atmosfera.
Técnicas para eliminar
ou minimizar a geração de carbono e técnica para
seqüestrar carbono no processo de combustão:
SISTEMA INDUSTRIAL
ETAPA TÉCNICA
Substituição
do produto Pesquisar novos materiais para substituir o ferro e suas ligas.
Substituir combustíveis
fósseis por fontes alternativas de energia.
Substituir combustíveis
fósseis por biomassa renovável.
Substituir óleo combustível
por gás natural.
Substituição
do processo Pesquisar outros agentes redutores que não sejam à
base de carbono.
Avaliar a substituição
do uso de energia química de combustíveis por energia elétrica
(hidrelétrica).
Implementar a cogeração
de eletricidade.
Otimização
do processo Aumentar a eficiência energética de caldeiras,
fornos, motores e outros equipamentos que geram ou consomem energia.
Otimizar energeticamente
os processos produtivos.
Melhorias operacionais Revisar
os procedimentos operacionais dos equipamentos que geram ou consomem energia.
Reutilização
Injetar no subsolo (poços de petróleo etc.).
Reutilizar como matéria-prima
para a indústria.
Armazenar em minas desativadas.
Tratamento Absorver quimicamente
em solventes seletivos.
Adsorver em adsorventes
seletivos.
Disposição
Descarregar na atmosfera.
Estes exemplos demonstram como as técnicas de minimização
e seqüestro podem ser priorizadas. Além disso esta abordagem
leva a um entendimento mais detalhado dos sistemas em questão facultando
o desenvolvimento de técnicas inovadoras.
SISTEMAS FLORESTAIS
Considerando
sistemas florestais com uma abordagem parecida, entendendo os mesmos como
sendo uma interface entre os recursos florestais e as comunidades e/ou
empresas associadas. O sistema florestal portanto apresenta, como na industria
questões operacionais (de manejo) e outros aspectos humanos que
podem ser trabalhados para minimizar as emissões de carbono.
As diferentes
fases de “operação” são possíveis
através de trabalhos de desenvolvimento econômico sustentável,
para evitar o corte tanto quanto possível e transformar áreas
degradadas em novas florestas para o seqüestro de carbono. Desta
maneira, a seguinte tabela apresenta exemplos de técnicas de minimização
e seqüestro de carbono:
SISTEMA FLORESTAL
ETAPA TÉCNICA
Evitar Problema
Evitar desmatamento (legislação; formação
de reservas conscientização e educação ambiental)
Desenvolvimento econômico
limpo
Ecoturismo
Controle de doenças/pestes
Prevenção
de incêndios
Gerenciamento/ Manejo/ Planejamento
Substituição de espécies (monocultura versus biodiversidade);
Minimizar impactos de cortes
(efeito de borda, mínimos danos de vizinhança)
Aumento do intervalo entre
corte
Redução de
desperdício
Conservação
do solo/incorporação do material morto
Controle de fogo
Mitigação
Reflorestamento
Utilização
de rejeitos
Aumento da permanência
da matéria morta
Produtos de madeira durável
Usar como biomassa de combustão
Remediação
Aflorestamento;
Situação fora
de Controle Desmatamento
Na atual conjuntura todas as técnicas de minimização
de emissões que de uma forma ou de outra evitam a emissão
serão excluídos do MDL. Talvez a percepção
de que áreas florestais não são ambientes altamente
controlados como sistemas industriais e agrícolas contribuiu para
esta medida. Independente disso, vimos nesta abordagem que a exclusão
de carbono força os projetos de MDL a adotar técnicas que
são menos eficientes quando devem ser utilizados em conjunto até
o dia em que o manejo sustentável é a única forma
de interação entre as pessoas e seus recursos florestais.
SISTEMAS AGRÍCOLAS
Os sistemas
agrícolas apresentam técnicas associadas ao solo e ao material
vegetal. Ademais, as técnicas de manejo em sistemas agrícolas
podem afetar outros sistemas como os florestais e urbanos através
de migração e o abandono de terras que leva a maiores índices
de desmatamento. O sistema agrícola apresenta, de forma bastante
parecida à industria, todas as possibilidades de estudar alterações
no processo, otimização de processo, e melhorias operacionais
através de treinamentos que servem para minimizar as emissões
de carbono.
A seguinte tabela apresenta exemplos de técnicas de minimização
e seqüestro de carbono para sistemas agrícolas:
SISTEMA AGRÍCOLA
Etapa Técnica
Evitar
o Problema Sistemas Agroflorestais
Potencialização
da produtividade (diminuir a demanda por abertura de novas áreas
de floresta para cultivo)
Gerenciamento/Manejo/Planejamento
PermaculturaRotação de culturas/ consórcios / mosaicosProteção
do solo Cultivo de espécies lenhosas frutíferasPolíticas
e apoio técnico/ TreinamentosMudança de combustíveisEficiência
energética
Mitigação
Uso de rejeitos
Remediação
Recuperação de áreas degradadas
Situação
Fora de Controle Erosão
SISTEMAS URBANOS
As áreas
urbanas, a partir da análise da redução de emissões
de carbono, agregam uma série de variáveis, as quais compõem
um complexo sistema. As formas de evitar a emissão de gases do
efeito estufa (GEE’s) podem ser contempladas dentro da perspectiva
da geração de energia; dos resíduos sólidos;
dos transportes; da infraestrutura; entre tantas outras.
No contexto
energético observa-se a mudança pontual da matriz energética,
até a promoção da arborização urbana
objetivando a climatização da cidade e a redução
do consumo energético. Também a questão energética
pode ser levada a prédios públicos, a iluminação
pública, o saneamento básico entre outros.
A título
de fornecer alguns exemplos entre o vasto número de possibilidades
de redução de emissões de GEEs no contexto urbano
apresenta-se a seguinte tabela:
SISTEMA URBANO
ETAPA TÉCNICA
Evitar
o Problema Mudança pontual da matriz energética
A adoção de
energias renováveis (ex. eólica, solar)
Mudança de comportamento
atrelada a arborização e paisagismo urbano.
Transporte publico.
Modificação
nos padrões de consumo levando a uma quantidade menor de resíduos
sólidos.
Incentivos ao uso alternativo
de materiais.
Educação ambiental.
Gerenciamento/Manejo/Planejamento
Eficiência energética
Logísticas em transporte
(rotas de trabalho, sistemas de distribuição)
Transporte solidário
Coleta seletiva
Mitigação
Conservação de energia
A criação
de aterros sanitários bem estruturados.
Oficinas de reciclagem
Incentivo à movimentos
de catadores de papel.
Remediação
Modificações na frota de carros
Transformação
de lixões em aterros sanitários.
Situação Fora
de Controle Crescimento desordenado
MEDIÇÃO
Para transformar
técnicas de redução de emissões de carbono
(e GEEs) em subsídios para projetos de MDL é necessário
medir as reduções realizadas através da técnica
escolhida. Não é possível, no presente artigo, ilustrar
todos os mecanismos de medição para todas as técnicas
aqui apresentadas.
CONCLUSÃO
Podemos
ver através do presente trabalho que a abordagem associada às
tecnologias limpas fornece uma nova visão do problema de mudanças
climáticas. Os paralelos entre os diferentes sistemas abrem caminhos
para investigações que não seriam feitas de outra
forma. Na figura que segue vemos os paralelos entre os diferentes sistemas.
ETAPAS INDÚSTRIA
FLORESTA AGRICULTURA URBANO
EvitarProblema
Alteração do produto Evitar desmatamento Potencialização
da produtividade Energias renováveis
GerenciamentoManejoPlanejamento
Alteração do Processo Manejo sustentável Planejamento
Urbano
Otimização
de Processo
Melhorias
Operacionais
Mitigação
Reutilização Reflorestamento Aproveitamento de rejeitos
Reciclagem
Remediação
Tratamento Aflorestamento Recuperação de áreas degradadas
Atualizações tecnológicas
Sistema
fora de Controle Disposição na Atmosfera Desmatamento Queimadas
Erosão Poluição
Estes paralelos e sinergias entre sistemas diferentes podem fornecer
o elo em comum para análises interdisciplinares que levam a novas
perspectivas que podem solucionar problemas antigos.
A
Sustentabilidade do Morro das Andorinhas
Segundo
Fonseca (2001), o sistema costeiro de Itaipu abriga sítios
arqueológicos datados como dos mais antigos do litoral brasileiro
(cerca de 8.000 anos), compondo uma paisagem deslumbrante. Parte da região
oceânica de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, possui
intensa atividade artística e cultural, até uma resistente
pesca artesanal, cuja existência remonta a milhares de anos, como
atesta o sambaqui da Duna Grande, a boreste da entrada do canal da laguna,
e o Museu de Arqueologia de Itaipu, que abriga o testemunho fóssil
da atividade pesqueira na região. O Morro das Andorinhas com seus
quase 200 metros de altura, costões rochosos e remanescentes de
Mata Atlântica avança como uma cunha, extendendo-se mar adentro
até as ilhas Menina, Mãe e Pai.

Membros
e descendentes da comunidade tradicional de pescadores artesanais do Morro
das Andorinhas, na vila de pescadores de Itaipu, um núcleo familiar
cujas origens da ocupação do local remontam ao final do
século XVIII, vem encaminhando para a mais alta instância
do Instituto Estadual de Florestas IEF – RJ, sucessivos pleitos
de revisão dos limites do futuro Parque Estadual da Serra da Tiririca
- PEST, nos quais, equivocadamente, a Comissão para regulamentação
do Parque incluiu o Morro das Andorinhas.
Justificam
o pleito de retirada do interior do PEST por ser o referido Morro uma
unidade de relevo totalmente apartada, isolada do conjunto da Serra da
Tiririca, distanciados quase um quilometro por um bairro de classe alta,
o de Itacoatiara. Como se não bastasse o argumento geográfico
da comunidade, no único ponto onde poderia ser projetado um corredor
ecológico entre as duas unidades de relevo, a Prefeitura Municipal
de Niterói autorizou, e já está em fase final de
construção, um conjunto de espigões e um shopping
center, cujos proprietários certamente não adquiriram suas
milionárias coberturas para ceder à finalidade tão
nobre de ver passar sobre suas privilegiadas cabeças os remanescentes
da biota da Mata Atlântica.
Protegidos
por ampla legislação, as populações tradicionais
de pescadores que habitam o Morro das Andorinhas, constituem-se no último
sustentáculo da cultura artesanal da região e impedimento
do processo de favelização desta Unidade de Conservação,
não conseguindo, entretanto, apoio para evitar a expansão
de novas construções das mansões do condomínio
de milionários afortunados, que se instalou no seu lado oriental
(pasmem! costões rochosos com mais de 60o de inclinação),
recortado para fora do Parque pela Comissão para constituição
do PEST, e cujas novas edificações já avançam
para além dos seus novos limites.
Como é
de domínio público e já preconizado por diversos
estudiosos, a presença humana em Unidades de Conservação
deve observar os limites impostos pela lei do SNUC de no 9.985/00. Face
ao estado atual e a complexidade da ocupação por comunidades
humanas, mais de 200 famílias, o Morro das Andorinhas será
verdadeiramente preservado, somente, e se, através de um grande
acordo negociado pelas diferentes comunidades que, hoje, habitam as suas
encostas, ou mesmo as utilizam para nobres finalidades científicas
e de ecoturismo, sem o descarte de nenhum de seus legítimos representantes.
Essas lideranças, certamente, não estão devidamente
representadas na Comissão Pró - PEST.
Portanto,
concluímos pelo bom – senso, pelo encaminhamento à
Comissão Pró-PEST da orientação no sentido
de propor a transformação do Morro das Andorinhas em uma
Unidade de Conservação na categoria de Floresta Estadual,
nos termos do Artigo 17, §s 1o a 6o, da lei no 9.985, de 18 de julho
de 2000. Com certeza esta seria uma contribuição sabia para
a preservação ambiental e da cultura das populações
tradicionais de Itaipu, reforçando a importância do legado
às futuras gerações da possibilidade de convivência,
nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável, entre
as comunidades humanas e as demais componentes da biodiversidade.
BIOQUÍMICA
Extrato de bromélia do RJ combate dores
Com a
imagem chamuscada pelo dengue, as bromélias provaram em laboratório
que têm mais a oferecer do que beleza. O extrato de uma espécie
da Mata Atlântica, coletada no Estado do Rio de Janeiro, demonstrou
ação antiinflamatória e analgésica. Realizada
por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a
descoberta dá contornos reais ao discurso sobre o potencial desconhecido
da biodiversidade brasileira. O nome da espécie e o local de sua
descoberta são mantidos em sigilo porque a substância está
sendo patenteada e os pesquisadores não querem ver o local de seu
achado devastado. A pesquisa é do Laboratório de Imunofarmacologia
do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica do Instituto Oswaldo
Cruz e foi coordenada Valber Frutuoso. A meta é desenvolver um
fitoterápico de bromélia. Não deixará de ser
uma ironia se as dores do dengue forem combatidas pela planta onde o mosquito
transmissor da doença pode proliferar.

ASTRONOMIA
Missão européia a Vênus partirá
em 2005, diz ESA
Embora
seja nosso vizinho no espaço, Vênus nunca foi considerado
um alvo prioritário para explorações em boa parte
devido ao seu ambiente hostil. Mas a Agência Espacial Européia
pretende mudar esse cenário. Ela deu a aprovação
final para a nave robô Venus Express, que partirá em 2005.
HISTÓRIA
DA CIÊNCIA
Descobertas cartas inéditas de Adolfo Lutz
A memória
da ciência nacional ganhou um novo capítulo com a descoberta
de cartas de Adolfo Lutz (1855-1940) para médicos e biólogos
brasileiros e estrangeiros. A correspondência de Lutz, um dos maiores
nomes da ciência brasileira, foi descoberta pelos historiadores
Jaime Benchimol e Magali Romero de Sá, que preparam uma biografia
do médico e sanitarista, figura-chave do combate das epidemias
cólera, febre amarela, febre tifóide e malária. Os
historiadores esperam que seu trabalho ajude a conhecer um pouco mais
da vida de Lutz, que era extremamente reservado.
COMUNICANDO CIÊNCIA:
O lançamento de “Ciência e público: caminhos
da divulgação científica no Brasil” (Ed. UFRJ),
organizado por Luisa Massarani, Ildeu de Castro Moreira e Fátima
Brito, no dia 21, na Casa da Ciência, marca o início da série
Terra Incógnita. O objetivo dessa série inédita é
discutir o impacto e os caminhos da divulgação da ciência
no Brasil.
HERANÇA
GREGA: O livro do historiador inglês Paul Cartledge não
é um tratado para especialistas. Mas a sua “História
ilustrada da Grécia antiga” (Ediouro) é um ótimo
guia para entender a importância da civilização grega
e sua herança para o mundo. Cartledge contou com a colaboração
de nove especialistas para escrever o livro, que aborda novas descobertas
sobre a cultura grega e temas pouco explorados, como a relação
com meio ambiente e a vida das mulheres.
Limites e perspectivas
O desenvolvimento
sustentável ainda não é expresso por indicador ou
números confiáveis, refletidos na qualidade do ambiente
urbano e natural.
O uso do
termo desenvolvimento sustentável tem como marco o relatório
da Sra. Gro Brundtland, que em 1988 o definia como a satisfação
das necessidades da atual geração, sem comprometer a satisfação
das necessidades das futuras gerações. Simplista e ambígua
definição, o termo na verdade compõe um mosaico de
interpretações sintetizadas em três componentes por
Carlos Klink, na coletânea de artigos elaborada por Marcel Bursztyn,
ambos da Universidade de Brasília.
A primeira,
econômica, procura a eficiência na substituição
do modelo energético na direção do uso de energias
renováveis, buscando minimizar os efeitos e rejeitos da atividade
econômica. A segunda, ecológica, coloca em destaque a biodiversidade
e sua magnitude, maior por característica em alguns ecossistemas,
menor em outros, mas não menos importante, juntamente com a capacidade
de suporte, a qual sinaliza o grau da dinâmica dos processos ecossistêmicos
ou os impactos da ação antrópica. Por fim, mas não
por último, a terceira componente, social, buscando a equidade
na distribuição do excedente econômico.
A atual
realidade brasileira chama a atenção para a enorme concentração
do excedente gerado pela atividade econômica nas mãos de
poucos, em detrimento das amplas camadas da população. Pressionadas
pela pobreza e a necessidade instintiva de sobrevivência, essas
atuam de forma predatória sobre o meio ambiente, ocasionando desmatamentos
de ecossistemas para moradia, alimentação, ou mesmo produção
de energia. Exemplares da fauna silvestre tornam-se fonte de fornecimento
de proteína, para a dieta dos excluídos.
J. A.
Drummond, em um de seus artigos sobre o assunto, já chamava a atenção
para a falha de mercado, que destaca a característica dos bens
públicos que são de todos, e ao mesmo tempo de ninguém,
sujeitos a ineficaz custódia do Estado e ao descaso do público
proprietário.
Para alguns
bens não existe mercado, ou ele funciona de forma ainda não
perceptível, falha, especialmente quanto aos bens ambientais. Eles
em geral têm muitos "proprietários" ou "consumidores",
que podem consumi-los sem diminuir o seu valor para outros usuários.
Dito de uma outra forma por J.A. Drummond: "Só o mais extremado
liberal negaria as falhas de mercado". Por causa dessas falhas, há
bens que o mercado não consegue suprir de forma previsível
ou racional, como o silêncio noturno num bairro residencial, o ar
que respiramos, o patrimônio genético, ou a proteção
da camada de ozônio.
Peter
May explica as falhas de mercado como o resultado de duas categorias conceituais,
resumidamente: as externalidades como danos ou benefícios causados
a terceiros; e as condições de não-divisibilidade
e não-rivalidade dos bens públicos. A pesca amadora pode
ser de domínio público por causa do livre acesso ao mar,
mas a sua prática afeta o valor dos produtos do mar por causa da
redução dos estoques e dos índices de captura. Se
nenhuma taxa ou emolumento é cobrado aos pescadores, qualquer pessoa
pode usufruir a pescaria o quanto quiser e, não havendo indicação
do que as pessoas desejam fazer como opção à pescaria,
fica-se sem saber como valorar a atividade da pesca amadora em relação
a outros usos do estoque pesqueiro. As implicações para
a alocação eficiente e a administração dos
bens de domínio público (ou de livre acesso) são
oriundas da dificuldade de sua valoração.
Estimular
o alcance de melhores índices ou indicadores de qualidade ambiental
é a meta, que se apresenta nesse início de milênio,
mesmo que essa não esteja ainda incorporada pelo principal indicador
mundial de qualidade de vida, criado no âmbito do PNUD - Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento: o Índice
de Desenvolvimento Humano. O IDH é composto de três dimensões
da vida social:
A longevidade,
medida pela expectativa de vida ao nascer;
os níveis educacionais, medidos pela combinação da
taxa de analfabetismo da população de 15 anos e mais, com
peso 2/3, e do número médio de anos completos de estudo
da população de 25 anos e mais, com peso 1/3;
Arenda
medida pela RFPC - renda familiar per capita média ajustada - expressa
em salários mínimos de setembro de 1991.
Não
inclui assim quaisquer variáveis ambientais, certamente relevantes
para o desenvolvimento humano e das demais espécies, uma vez que
longevidade, nível educacional e de rendimento, certamente não
serão expressos por indicador ou números confiáveis,
sem que sejam refletidos na qualidade do ambiente urbano e natural, não
servindo, assim, aos propósitos de medição da amplitude,
que se oferece.
Limites
já foram sinalizados desde Malthus ao Clube de Roma, e sua tradução
por Meadows et al, com visões pessimistas que não se confirmaram,
mas continuam mostrando seus sinais. Perspectivas sombrias com a perda
da utopia da comunidade mundial, e a hegemonia do imperialismo do norte.
Perspectivas alvissareiras com a vitória da esperança sobre
o medo.
Este o
cenário delineado brevemente compondo o mosaico da sustentabilidade
do desenvolvimento, na direção de uma melhor convivência
entre nós da espécie Homo sapiens e o meio ambiente que
nos cerca.
Sérgio de Mattos Fonseca (apreco@aprec.org.br)
é economista, mestre em Ciência Ambiental pela Universidade
Federal Fluminense e diretor da Associação de Preservação
dos Ecossistemas Costeiros (Aprec) (http://www.aprec.org.br/)
e professor convidado da Universidade Cândido Mendes e da IBMEC
Business School.
O autor é Professor e Coordenador Pedagógico do curso de
extensão para Elaboração de Estudos e Relatório
de Impacto Ambiental da Universidade Federal Fluminense UFF/GIPE/EcoCiência,
economista filiado a Sociedade Brasileira de Economia Ecológica,
M. Sc. em Ciência Ambiental pela Universidade Federal Fluminense
UFF, diversos cursos em Oceanografia, Análise de Sistemas e Gestão
Ambiental, diretor da APREC Ecossistemas Costeiros, área de atuação
em Valoração Econômica - Ecológica de Externalidades
Ambientais e Recuperação de Ecossistemas Costeiros Tropicais,
diversos artigos e trabalhos publicados. Consultor Ambiental. |